terça-feira, 18 de novembro de 2008

História do Corinthians - Parte II

No dia 21 de agosto de 1910, chegava ao Rio de Janeiro, patrocinado pelo Fluminense F. C., o navio que trazia o mais famoso clube de futebol amador da Inglaterra, O Corinthian Football Club. O time inglês tinha o costume de fazer excursões pelo Mundo afora com a finalidade de promover o esporte bretão, e acabou inspirando não só a criação do Corinthians no Brasil, como também do Real Madrid na Espanha, que adotou a cor branca em homenagem aos ingleses.

O jogo de estréia em terras brasileiras, no dia 24 de agosto, aconteceu no primeiro estádio do país, as Laranjeiras. O resultado: 10 a 1 para o time inglês. Dois dias depois, o adversário era um selecionado carioca, que foi derrotado por 8 a 1. No dia 28, a partida foi contra um selecionado estrangeiro que jogava no Brasil, e novamente uma vitória do time inglês, desta vez por 5 a 2.

Sendo assim, a convite da Liga Paulista de Football, o Corinthian viajou para São Paulo envolto em uma enorme expectativa. Nas ruas da capital, era possível encontrar os cartazes anunciando os jogos e que também repercutiam a passagem da equipe pela Cidade Maravilhosa.

No dia 31 de agosto, o jogo que marcaria a história do futebol paulista foi disputado no campo do Velódromo, onde estavam presentes alguns jovens entusiastas moradores do Bom Retiro. O adversário, a Associação Atlética das Palmeiras (nenhuma relação com o time que viria se transformar em rival), não foi páreo para a equipe inglesa, e acabou derrotado por 2 a 0.

Entusiasmados com o espetáculo que acabaram de presenciar, os rapazes se reuniram já no dia seguinte, como vinham fazendo a alguns meses, e decidiram que montariam um time do bairro, batizado então como homenagem ao clube que os inspirou, Corinthians.

Mais dois jogos dos ingleses seriam disputados em São Paulo, contra o Paulistano e contra um selecionado estrangeiro, até a partida do elenco no dia 6 de setembro.

O acréscimo da letra S no nome original do time inglês, resultando no atual Corinthians, não possui registros oficiais que o expliquem. Muitos acreditam se tratar de um erro de interpretação dos fundadores, que confundiam a expressão corinthians, usada para os denominar os jogadores do Corinthian.



Fotografia tirada em 1902 - Campo do Velódromo, na Rua da Consolação

* * *

Sobre o nascimento do clube, os relatos mais precisos são de um de seus fundadores, Antonio Pereira, no ano de 1960, para uma revista oficial do Corinthians.

Pereira afirmou que, ao contrário do que dizem muitas histórias, quase nenhum dos homens que fundaram o clube, eram trabalhadores da São Paulo Railway. Segundo ele, eram homens humildes, sendo sete italianos, cinco portugueses e dois brasileiros.

Sobre o famigerado lampião, que muitos contam foi usado para iluminar a noite da criação do clube, Pereira conta ser um mero acaso do destino. “Sempre nos reuníamos na barbearia de Salvador Bataglia, mas naquela noite ele não passava bem, o que nos obrigou a procurar outro lugar. Na rua dos Italianos, encontramos um lampião usado para iluminar as ruas do bairro, e ali foi onde a primeira lista de participantes foi criada e assinada”.

Treze pessoas firmaram a lista e entraram com algum valor em dinheiro para a criação do time. Outras seis passaram a contribuir a partir da terceira reunião. Antônio Pereira nomeou os participantes daquela noite de 1 de setembro de 1910: os pintores Joaquim Ambrósio, César Nunes e Antônio Pereira, o sapateiro Rafael Perrone, o motorista Anselmo Correia, o trabalhador braçal João da Silva, o fundidor Alexandre Magnani, os alfaiates Miguel Bataglia e Antônio Nunes, o macarroneiro Salvador Lopomo, e Antônio Vizzone, Emílio Lotito e Jorge Campbell, que posteriormente abririam uma confeitaria.

por: Mauro Kinjo Fonte: Corinthians o time da Fiel

sábado, 15 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Corinthians x Vila Nova - Uma história de Amizade

Em meio a muita sepertina, uma bandeira do Corinthians na torcida do Vila Foto: Serra Dourada, ano de 2001

Dificilmente no mundo do futebol, as amizades são construídas por afinidade e não por interesse. O corinthians tem uma torcida com poucas amizades, e algumas delas já existem a décadas;

"O tigre da vila famosa tem que triunfar, sua torcida é fenomenal". O Hino do alvi-rubro goiano já diz quem é o Vila Nova FC e qual o espírito para o jogo de sábado, no Pacaembu, contra o já campeão Corinthians. Depois dos últimos tropeços no Serra Dourada – empate em 1-1 com o Gama e derrota de 2-3 para o Barueri, concorrente direto -, o time da vila famosa só pensa em triunfar fora de casa para seguir sonhando com o acesso. Um olho no Pacaembu, outro na Arena Barueri.

Corinthians e Vila Nova tem suas semelhanças. Quando o alvinegro vai a Goiânia enfrentar o Goiás não é raro encontrar torcedores do Vila trocando camisas com os corinthianos. Enquanto a torcida do Goiás entoa cantos no ritmo da Mancha Verde do Palmeiras, a TEV(Torcida Esquadrão Vilanovense) parece se confundir com a Gaviões da Fiel. Basta uma chance de gol para se escutar "tigrão êo", ou um gol para o belo "Vila minha vida, Vila minha história, Vila meu amor!". Esse ano, enquanto a Fiel exige "não pára, não pára, não pára", os vilanovenses gozam os rivais com "não chora, não chora, não chora".

Em 2005, quando o Corinthians de Carlitos, Mascherano, Roger e cia, foram campeões no Serra Dourada, centenas de camisas do Vila Nova se misturavam com as alvinegras, ajudando o Corinthians ser maioria nítida no estádio.

Em 2007, com Felipe defendendo o pênalti de Paulo Baier na luta contra o rebaixamento, novamente torcedores do Vila Nova marcaram presença no Serra para prestigiar o coringão. Dessa vez o principal estádio de Goiânia se dividiu em verde e preto.

O confronto direto

Apesar da tradição das duas equipes, Corinthians e Vila Nova se enfrentaram apenas 3 vezes na história. O Vila participou da Série A de 1978 à 1983 e em 1985, apenas. Devido as mirabolantes formas de disputas criadas pela CBF nos antigos campeonatos nacionais, o Corinthians acabou por enfrentar o Vila Nova pela primeira divisão apenas em 1978, quando somente vitórias por 3 ou mais gols de diferença valiam 3 pontos, as demais valiam 2 pontos. Na última rodada da primeira fase, o Corinthians já estava classificado e o Vila precisava de uma vitória para se classificar. Com gols de Geraldão, Palinha e Vaguinho, o alvinegro enfiou justo 3-0 no time goiano. O Corinthians classificou-se invicto, ganhando 3 jogos de 3 pontos, 3 de 2 pontos e somando ainda 5 empates.

O Primeiro confronto entre as duas equipes foi em 1967, pelo Torneio amistoso Octávio Lage. A partida foi disputada no Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, campo do Goiânia EC, e não saiu do 0-0. O Vila foi o campeão do triangular.

Sem nunca na história ter vencido o Corinthians, o tabu foi quebrado no dia 09-08-2008 quando, com gols de Alex Oliveira e Pedro Jr, o tigrão fez 2-1 no Corinthians, que marcou com Douglas. Os gols da partida seguem em vídeo:


Givanildo é da Fiel

A boa campanha do Vila na Série B 2008 se deve muito aos 23 gols de Túlio(45% dos gols do Vila na competição), mas também ao trabalho realizado fora de campo por Givanildo, contratado justamente para a competição nacional com a credencial de ter levado o Sport Recife ao vice-campeonato da B de 2006.

Revelado pelo Santa Cruz, onde foi pentacampeão pernambucano consecutivo, Givanildo era um dos destaques do Corinthians campeão paulista de 1977. Presente também na invasão ao Maracanã, o pernambucano de passes precisos era um dos mais queridos pela torcida alvinegra e até chegou a ser convocado pela Seleção Brasileira enquanto esteve defendendo o alvinegro.

Apesar da insistência de Pedro Jr em comemorar com o treinador após marcar o gol decisivo na partida do primeiro turno, Givanildo manteve-se sem muita euforia em uma singela demonstração de carinho e respeito pelo Corinthians. Cabe agora aos corinthianos saberem reconhecer mais um ídolo dentre tantos.

Givanildo fez parte do elenco que conquistou o memorável Paulista de 1977

Histórico:

25/06/1967 – Vila Nova 0 x 0 Corinthians, Estádio Olímpico – Triangular Octávio Lage

14/05/1978 – Corinthians 3 x 0 Vila Nova, Pacaembu – Campeonato Brasileiro
Gols: Geraldão, Palinha e Vaguinho.

09/08/2008 – Vila Nova 2 x 1Corinthians, Serra Dourada –Campeonato Brasileiro Série B
Gols: Alex Oliveira e Pedro Jr, para o Vila e Douglas pelo Corinthians.

por: Tiago Zau

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

História do Corinthians - Parte I

São Paulo,
o berço Corinthiano

No final do século XIX, incentivados por seus países de origem e pelo governo brasileiro, imigrantes europeus começam a chegar a São Paulo, e se alojar no Bairro do Bom Retiro. Em certa época, iam direto para a Hospedaria do Bom Retiro, até o local ficar pequeno e as autoridades construírem a Hospedaria dos Imigrantes, no Brás.

O Bom Retiro foi o primeiro bairro paulistano a concentrar dezenas de fábricas e lojas, além de ser o principal refúgio de imigrantes que chegam à cidade, e continua a ser até os dias de hoje. Aos poucos, foram se estabelecendo pequenos negócios, como sapatarias, tinturarias, bares, armazéns, etc. É importante ressaltar que a maioria destes imigrantes, haviam se concentrado primeiramente nas lavouras, onde haviam sido empregados com o objetivo de arrecadarem algum capital para começar a vida no novo país. Muitos imigrantes sentiam dificuldade ao se adaptarem a vida campesina, e ao voltar aos centros urbanos, faziam o possível para retomar a rotina de cidade grande.

Mas só haviam imigrantes bem estruturados e com dinheiro em São Paulo naquela época? Muito pelo contrário. Aqueles que não conseguiam acordo com o governo, ou emprego nas lavouras do interior do Estado, tentavam se estabelecer trabalhando de operários, nas indústrias da Capital.




Milhares de homens e mulheres cumpriam jornadas de 12 até 15 horas nas fábricas, com folga somente no domingo, muitas vezes só após ao meio-dia. Realidade muito diferente das famílias que costumavam passar o fim de semana nos bonitos Jardins da Luz, local onde havia uma espécie de zoológico, coreto, e alguns bares com preços demasiado salgados para os operários da Capital.

Outros passatempos eram os bailes e a pesca no Rio Tietê. O futebol já havia estabelecido sua liga ainda amadora, mas como era composta de gente da elite, pobres e negros não tinham vez nas pelejas. Mas é claro que o jogo não terminava por ai, a ‘várzea’ do futebol paulista já se mostrava bastante atrativa, com equipes fortes como Botafogo do Pari, Tiradentes, Domitila, Argentino e União Lapa – time que seria o primeiro adversário oficial do Corinthians, em 10 de setembro de 1910 - que já atraiam grande público em canchas que contavam apenas com uma cerquinha para separar jogadores da torcida.

Foi assim que alguns rapazes do Bom Retiro resolveram fundar seu próprio time.

por: Mauro Kinjo Fonte: Corinthians o time da Fiel